quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Magia do samba

No dia 02/12 comemora-se oficialmente o Dia Nacional do Samba. Para tal data me reuni com os amigos Ricardo e Felipão (ambos do Combinado Silva Só) e embarcamos rumo ao Bacacheri para tomar aquela cerveja gelada, papear e ouvir um bom samba. Chegando lá, encontramos outros 3 amigos (três enciclopédias do samba, diga-se de passagem) fazendo a mesma coisa. Era o Anildo Guedes (dono do bar), Marcão e mais um que eu não lembro o nome.

Nos surpreendemos. Achávamos que naquela altura do campeonato seríamos recepcionados pela multidão já insandecida, o samba pegando fogo e as mulatas rodopiando. Que nada. Eram só três, agora somados a mais três.

O tempo foi passando e o milagre da multiplicação se fez, pois o pessoal não parava de chegar. Achávamos que tería uma atração daquelas de costume do Cimples, como o excelente pessoal do Bom Partido, diretamente de Florianópolis. Mas que nada.

Até que no final da tarde o dono do bar olha para os "clientes" e diz: "vocês não vão tocar?". Um olha pro outro.. fica aquele silêncio. "Mas Anildo, nós viemos prestigiar..".

(Fala-se muito no tal mistério do samba. Eu falo em magia).

Por sorte o Ricardinho levara o cavaco, que logo passou ao Alex (figura carimbada dos sambas da cidade e bom compositor) e assumiu o surdo. Começou assim. De repente surgiu um violão de sete cordas, um pandeiro, um prato, uma faca, um pedaço de madeira. Qualquer coisa que fizesse som foi se incorporando e como num passe de mágica surgia o grande homenageado do dia - o samba!

Músicos, compositores, sambistas e admiradores brotaram. Muita gente legal passou por lá. Nos milhares de cliques do dia, deixo mais duas fotos. Abaixo, o encontro do passado e presente do samba curitibano. Bruno Santos de Lima, que considero o maior compositor da nova geração da cidade, admira o grande Maé da Cuíca - fundador da primeira escola de samba de Curitiba - a lendária Colorado.


No final da noite, por acaso, enquanto o coro comia e todos se divertiam fazendo o samba... Cartola mandava esse diálogo com seu pai (na TV):


- O que você quer que eu cante pro senhor? (indaga Cartola)
- Um samba, né? (obviamente, responde o pai)
- Mas qual é o que o senhor gosta? (retruca Cartola)
- É... esse .. é... o moinho... O Mundo é um moinho (aquele... sabe?)
- Ah, bom! (sorri Cartola)

Que dia. Que noite. Nada de espetáculo. Nada de estrelismos. Nada de artistas x público. Foi só samba. Obrigado Anildo.


*OBS: Entendeu qual é a magia do samba? Não? ... é uma roda, músicos, coro, versos, causos, cerveja e animação. Sinceridade acima de tudo. Uma festa brasileira que pode acontecer em qualquer lugar a qualquer hora. Se você conhecer algo parecido, que não seja samba. Me mostre, porque eu também quero participar !

4 comentários:

João Acuio disse...

E as muladas, Dom, e as mulatas....?

Somos pessoas felizes! disse...

Podemos dizer que o samba é uma representação de liberdade inconstitucional sem apologia hedionda de estrelismo, háhá pra concluir, acho que o samba só somente acontece...duvido que alguem ali sabia a hora que ia começar, as musicas que iam cantar, é uma incognita que só o tempo irá revelar! Tem que viver o samba pra saber aonde ele vai chegar...

Getulio Guerra disse...

esquirimbaum-baum :) prcisamos ainda passar uns dias na lapa ver qual é daqueles botécos meu...

Ana F. disse...

é de arrepiar!